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Sarcoma de aplicação

Sarcoma é um tipo de tumor maligno, ou seja, um câncer. Infelizmente os gatos apresentam certa predisposição em desenvolver sarcomas de pele no local de injeções e, por isso, essa neoplasia é chamada de sarcoma de aplicação.

O termo sarcoma vacinal vem sendo cada vez menos utilizado, isso porque qualquer injeção que provoque um processo inflamatório local pode causar sarcoma.

Na década de 1980, nos Estados Unidos, foi produzida uma vacina antirrábica que pode ser aplicada por via subcutânea e não mais necessita da via intramuscular, gerando, portanto menor dor no local da aplicação. Na mesma década foi criada a vacina contra leucemia felina (FeLV) e somando esses fatores o número de vacinas em gatos aumentou significantemente. No final da década aumentaram os casos de sarcomas de pele e iniciaram os estudos nessa área.

CAUSAS e EPIDEMIOLOGIA

Como dito anteriormente qualquer tipo de injeção que provoque inflamação local pode causar sarcoma, mas existem alguns tipos de injeção que estão mais relacionados com esse tumor.

Já foram relatados em aplicações de vacinas contra raiva, leucemia, calicivirose, panleucopenia e rinotraqueíte, ou seja, todas as que temos disponíveis no Brasil. Além dessas, alguns tipos de antibiótico e cortisonas também já foram relacionadas com o sarcoma.

A incidência do sarcoma varia entre 1 a 10 casos a cada 10 mil vacinas aplicadas.

Curiosamente não existe relação entre sarcomas de pele e aplicações de insulina, mesmo nos animais que recebem duas doses diárias.

É importante salientar que o desenvolvimento do tumor está mais relacionado com o animal do que com a injeção propriamente dita. O que significa que nem todo animal que receber essas injeções desenvolverá o tumor.

SINTOMAS

O sintoma desse tumor é uma massa (ulcerada ou não) de tamanho variado e localizada onde alguma injeção foi aplicada, portanto os locais mais comuns são a região do dorso (entre as escápulas ou perto dos membros posteriores), região lateral dos membros ou glúteos.

A massa geralmente é indolor, mas quando atinge um tamanho muito grande pode ulcerar e então passar a ser dolorida e liberar secreções.

O tumor pode aparecer de 4 semanas a 10 anos após a aplicação, o que pode dificultar o diagnóstico.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito com exames de citologia e/ou biópsia. Muitas vezes a remoção completa do tumor é feita antes da confirmação e só então o material é enviado para análise. Isso tem o objetivo de reduzir o número de anestesias e cirurgias e acelerar o tratamento. Exames de imagem do tórax ajudam a descartar metástases nos pulmões.

Uma regrinha chamada de 3/2/1 é utilizada para determinar se a massa tem indicação ou não de ser um sarcoma e é representada assim:

- massa no local da aplicação persistente por mais de 3 meses ou;

- massa no local da aplicação com mais de 2 cm de diâmetro ou;

- massa no local da aplicação que está em crescimento a mais de 1 mês.

TRATAMENTO

O tratamento requer a remoção cirúrgica do tumor com margens de pelo menos 3 cm, ou seja, o tumor deve ser retirado e mais 3 cm de cada lado e profundidade deve sair junto na cirurgia para evitar que células tumorais permaneçam no local.

O grande problema da cirurgia é a profundidade da margem de segurança, principalmente se essa margem se estende ao tórax ou abdômen. Uma tela sintética pode ser necessária para cobrir a área removida.

Se o tumor for localizado em algum membro, então esse precisa ser amputado. Por mais que pareça agressivo é uma chance que o animal tem de se recuperar do câncer.

Tratamentos com radioterapia e quimioterapia ajudam principalmente nos casos de remoção incompleta do tumor.

PREVENÇÃO

O medo de que seu gato possa estar doente com certeza cresceu ao ler essa nota, mas isso não significa que você não vai mais vaciná-lo.

Tendo em vista que não é uma doença comum, parar de vacinar os gatos é um fato ainda questionável. Deve ser levada em conta a região que o animal mora e o risco de adquirir uma doença que tem vacina, como a raiva, por exemplo.

Você pode discutir com seu veterinário a frequência com que as vacinas serão aplicadas e em caso de tratamento de alguma doença dar preferência para medicações orais.

PROGNÓSTICO

O prognóstico é reservado por causa das grandes chances de metástase (quando o tumor cresce em outros órgãos ou no mesmo local após a cirurgia), mas com o tratamento adequado existem chances de cura em alguns gatos.

Essas informações não devem ser interpretadas como forma de diagnóstico. Nunca medique seu gato sem orientação veterinária.

Dra. Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Possui formação acadêmica em veterinária, especialização em medicina felina e mestrado e doutorado pela USP.