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Obstrução uretral em gatos

Infelizmente a obstrução uretral em gatinhos não é um problema raro. Ela ocorre quando o fluxo de urina não consegue passar e, consequentemente, o gato não consegue urinar ou, se consegue, é com muita dificuldade.

PREDISPOSIÇÃO

A obstrução de uretra acomete mais os machos, que possuem uma uretra muito estreita e suscetível à esse problema. Os animais entre 1 e 7 anos são mais frequentemente suscetíveis, bem como aqueles que estão acima do peso e que comem exclusivamente ração seca.

Ou seja, se seu gato é um macho, adulto, obeso e que não gosta de comer sachês, ele tem mais chances de sofrer desse problema. 

Gatinhos que tendem a urinar fora da caixa sanitária, seja por marcação territorial, seja por problemas com a caixa em si tendem a ter mais obstruções também. Isso porque, esse comportamento demonstra que o gato está estressado de alguma maneira e esse estresse pode desencadear processos inflamatórios na bexiga (cistite) que levam à maior produção de células e que podem obstruir a uretra.

Antigamente acreditava-se que a castração era fator predisponente à obstrução, mas já está demonstrado que castrar um gato macho, mesmo que antes dos 6 meses de idade, não diminui o tamanho da uretra, nem o deixa suscetível às obstruções.

COMO OCORRE A OBSTRUÇÃO

Existem três condições que podem causar a obstrução do fluxo de urina:

  • “plugs” , que são um acúmulo de células, cristais, debris e proteína presentes na urina;
  • pequenos cálculos uretrais (“pedras”);
  • espasmo uretral, que ocorre quando, por algum motivo, a uretra inflama e o músculo entra em espasmo

SINTOMAS

Quando a uretra está obstruída a urina não passa e o gato sente desconforto e muita dor. Esses animais vão com muita frequência até a caixa sanitária, agacham como se fossem urinar, mas sem sucesso. Alguns gatos apresentam esse comportamento também fora da caixa, tentando urinar por toda a casa.

Em algumas situações a uretra está parcialmente obstruída e, nesses casos, o gato urina por gotejamento, com ou sem sangue. De qualquer maneira, o tutor percebe com facilidade que o seu animal está com real dificuldade de urinar.

Durante o atendimento veterinário, o profissional percebe o quadro, pois a bexiga do animal se encontra extremamente cheia. Em algumas situações, não muito frequentes, a bexiga pode romper e, neste caso, o veterinário não consegue palpá-la.

CONSEQUÊNCIAS DA OBSTRUÇÃO

Em poucas horas de obstrução uretral a bexiga dos gatos fica extremamente cheia e isso gera uma série de consequências negativas e perigosas para o animal.

Quando a bexiga que não consegue ser esvaziada, a urina começa a subir pelos ureteres (que naturalmente levam o urina dos rins para a bexiga) e depois até os rins, causando o que se chama de hidronefrose. Os rins ficam, por consequência, aumentados de tamanho por causa do acúmulo de urina e suas funções ficam prejudicadas. 

TRATAMENTO

Nos casos de obstrução uretral o tratamento vem antes dos exames laboratoriais. Isso porque se trata de uma emergência e cada minuto que se passa a saúde do animal pode ser agravar.

A primeira providência a ser tomada é o esvaziamento da bexiga, que pode ser feito tanto por punção com agulha, como através da passagem de uma sonda. Este último é feito sob sedação ou anestesia, pois o animal está com muita dor e, a manipulação da uretra pode deixa-lo muito agitado. Além disso, a sedação ajuda no relaxamento da uretra. Medicamentos para dor devem ser administrados neste momento também.

EXAMES COMPLEMENTARES

Após o esvaziamento da bexiga o profissional realiza alguns exames para verificar as condições gerais do animal. É indicado exames de sangue para verificar a função renal e a quantidade de eletrólitos. Esses animais frequentemente apresentam altos índices de potássio, que precisam ser corrigidos.

A urina coletada durante o esvaziamento deve ser enviada a um laboratório para análise, bem como cultura de bactérias para verificar se há infecção urinária presente.

Um ultrassom de abdômen pode ser solicitado para verificar a condição dos rins, que podem estar em hidronefrose. Além disso, esse exame, juntamente com radiografia abdominal, ajuda no diagnóstico de outros cálculos que podem estar presentes no trato urinário. O ultrassom também é indicado quando há suspeita de ruptura de bexiga.

CUIDADOS APÓS A DESOBSTRUÇÃO

Após o esvaziamento da bexiga o veterinário pode utilizar a sonda uretral para injetar solução fisiológica estéril para lavar a bexiga e ajudar na remoção de debris celular e sedimentos. Esta sonda pode ficar por 2 a 3 dias, se for julgado necessário.

O gatinho também pode necessitar de fluidoterapia (soro) para re-hidratar e ajudar no funcionamento dos rins. Esse procedimento deve ser feito com extremo cuidado e calculado, para não agravar o acúmulo de urina nos rins.

Medicamentos para dor e relaxamento da musculatura da uretra são bastante eficazes. Antibióticos para possíveis infecções urinárias devem ser administrados somente após a retirada da sonda e de um resultado positivo na cultura de urina. 

PREVENÇÃO

A melhor maneira de prevenir a obstrução de uretra em gatos é proporcionando estímulos para que ele beba mais água. Leia aqui sobre como fazer isso. Além disso, manter o gato dentro do peso ideal também pode ajudar bastante. Leia aqui também sobre obesidade em felinos.

Animais que têm por hábito urinar fora da caixa sanitária devem receber atenção voltada à problemas comportamentais. Nesses casos, enriquecimento ambiental e melhora da qualidade e quantidade de caixas sanitárias pode ajudar a prevenir a obstrução. Para saber mais sobre isso leia aqui.

Alguns gatos machos que apresentam obstruções recorrentes podem necessitar de procedimento cirúrgico, onde é realizada amputação do pênis, onde, consequentemente, a uretra fica com diâmetro maior e com menores chances de obstruir novamente. 

Essas informações não devem ser interpretadas como forma de diagnóstico. Nunca medique seu gato sem a prescrição de um médico veterinário.

Dra. Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Possui formação acadêmica em veterinária, especialização em medicina felina e mestrado e doutorado pela USP.