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Gatos amputados

Acidentes como atropelamentos e quedas de andares altos de prédios são as principais causas de amputação de pernas em gatos, pois podem resultar em fraturas múltiplas que impossibilitam a reconstrução dos ossos do bichano.

O comprometimento da vascularização do membro e tumores são outras causas menos comuns para essa medida drástica. No entanto, o que muita gente não sabe é que, mesmo amputados os felinos podem ter uma vida feliz e saudável com alguns cuidados especiais de seus gateiros. Veja a seguir como isso é possível.

PRIMEIROS DIAS

Assim que o bichano volta pra casa depois da cirurgia de amputação, além dos cuidados referentes ao procedimento cirúrgico prescritos pelo médico veterinário, o tutor precisa ficar alerta aos locais que possam oferecer algum risco a eles, como escadas, sacadas e janelas, pois, nessa fase inicial, o equilíbrio do gatinho fica comprometido.

Portanto, observe com atenção o caminhar do gato nos primeiros dias, principalmente se ele arriscar subir em locais altos. E, se você não conseguir monitorá-lo nesse período, restrinja seu acesso a ambientes que possam oferecer algum risco e o mantenha num cômodo com brinquedos e arranhadores para distraí-lo, mas sem muitos móveis em que ele possa subir. Evite quedas e não o deixe sozinho em cima da cama nem do sofá.

Quando você estiver em casa, ele pode sair para explorar o ambiente, mas sempre sob sua supervisão. Por ser pequeno e ágil, em poucas semanas o bichano reaprenderá a subir e a descer desses locais.

EQUILÍBRIO COMPROMETIDO

Quando a amputação ocorre em um membro anterior (braço), o felino terá um pouco mais de dificuldade de se equilibrar no começo, mas será mais fácil agachar para urinar e evacuar. O contrário ocorre nos gatos com membro posterior (perna) amputado. Nesse caso o equilíbrio é adquirido com mais rapidez, mas agachar pode ser difícil no começo.

De qualquer maneira, os felinos também se adaptam a isso rapidamente sem necessitarem de cuidados especiais.

MEDO DO NOVO

Não é comum, mas é possível que, após a amputação, o bichano fique inseguro em rlação ao hábito de subir em locais altos. Se isso acontecer, o tutor pode, desde que o caminhar e o equilíbrio estejam totalmente adaptados, estimular o gato a subir e descer de lugares mais baixos, como camas e sofás, chamando-o para brincar e mostrando brinquedos com peninhas, por exemplo (eles adoram essas peninhas). Caso perceba que ele não está correspondendo, não insista.

É pouco provável que o gato entre em um quadro depressivo por conta da amputação, mas o tutor deve ficar alerta e buscar ajuda profissional caso o medo ou tristeza perdure por muito tempo.

PROBLEMAS NA COLUNA

Como os “tripézinhos” dividem o corpo em apenas três patas, é natural os tutores ficarem com medo de que eles desenvolvem problemas de coluna. No entanto isso é mais comum em cães de grande porte ou gatos obesos amputados. Portanto, se você perceber que seu “tripézinho” está acima do peso e/ou com dificuldades para se locomover, procure um médico veterinário. Ele irá prescrever uma dieta e um tratamento específico para seu bichano.

CARRINHOS ADAPTADOS

O carrinho de locomoção não é recomendado para gatos com três membros, mas sim para animais paralíticos ou que possuem apenas os membros da frente ou os de trás. Os “tripézinhos” podem ter uma vida normal sem esse acessário.

Essa matéria você também encontra na versão impressa da revista Pulo do Gato, Edição 83 – Setembro/Outubro 2014.

Dra. Laila Massad Ribas

Imagem: lovemeow.com

Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Possui formação acadêmica em veterinária, especialização em medicina felina e mestrado e doutorado pela USP.