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Doença renal crônica

Também conhecida pela sigla DRC a doença renal crônica é uma das doenças mais comuns dos gatos domésticos, podendo acometer até 20% da população. Apesar disso, nem todo gato com DRC irá morrer dessa causa. O termo insuficiência renal também é bastante aplicado, entretanto ele denota uma progressão da DRC, ou seja, um quadro mais avançado da doença.

A DRC pode se iniciar na infância, mas por ser progressiva é muito mais comum ser diagnosticada nos gatos de idade avançada.

DEFINIÇÕES

 Que os rins filtram o sangue quase todos já sabem, mas eles possuem outras funções muito importantes no organismo, como o controle da pressão arterial e a participação no controle hormonal, como na produção de eritropoetina (precursora de hemácias) e calcitriol (vitamina D).

A DRC é a perda gradativa das funções dos rins que, por ter tantas participações no organismo causa no animal uma série de alterações.  

CAUSAS

A causa mais comum da DRC é a chamada nefrite tubulointersticial de causa desconhecida, que é na verdade um acúmulo de células inflamatórias nos néfrons (estrutura microscópica dentro dos rins responsáveis pelas suas funções) com progressão para fibrose.

Outras causas menos frequentes são: hidronefrose por obstrução de ureter, cistos (rins policísticos), tumores, infecções, dentre outras.

Os gatos possuem algumas particularidades que os predispõem a desenvolver DRC, como sua origem desértica que os fazem beber menos água e concentrar mais a urina e a quantidade de néfrons reduzida em comparação com cães e humanos.

CONSEQUÊNCIAS E SINTOMAS

Pelos rins terem tantas funções a DRC gera algumas consequências nos gatos, dentre elas:

– desidratação – perdem líquidos, pois aumentam a produção de urina;

– anemia, pois os rins participam na produção de hemácias;

– desequilíbrio eletrolítico, como altos níveis de fósforo, baixos ou altos níveis de potássio e baixos níveis de bicarbonato, pois os rins perdem a capacidade de controlar a saída desses eletrólitos. Em casos graves os gatos podem ter alterações no pH do sangue, o que pode comprometer sua vida;

– hiperparatireoidismo = aumento dos níveis de PTH (paratormônio) na tentativa de compensar os altos níveis de fósforo no sangue;

– hipertensão, pois os rins controlam a pressão arterial;

– infecção urinária também é algo comum nos gatos com DRC, sendo que metade deles não apresenta sintomas;

Os sintomas da DRC podem se confundir com processos infecciosos e diabetes, pois os sintomas são parecidos, dentre eles a sede excessiva, maior produção de urina, perda de peso, vômitos, desidratação e constipação.

DIAGNÓSTICO

O veterinário se baseia nos sintomas clínicos e em exames de sangue, de urina e de imagem. Hemograma, ureia, creatinina, exames de urina e ultrassom de abdômen são os primeiros exames a serem feitos para confirmar a suspeita. O veterinário pode acrescentar outros exames, como dosagem de eletrólitos, pressão arterial e exames de coração a fim de fazer um controle da doença.

ESTÁGIOS

Os gatos com DRC apresentarão níveis elevados de creatinina no sangue, que deveria ser eliminada pelos rins. Por conta disso a Sociedade Internacional de Interesse Renal (IRIS – http://www.iris-kidney.com) desenvolveu uma tabela de estágios da doença renal.

Estágio

I

II

III

IV

Creatinina

<1,6 mg/dL

1,6 – 2,8 mg/dL

2,9 – 5,0 mg/dL

>5,0 mg/dL

Tabela IRIS adaptada para esclarecimentos sobre DRC. Para visualizar a tabela completa entre no site http://www.iris-kidney.com

TRATAMENTO

Infelizmente a DRC não tem cura. A boa notícia é que estudos revelam que a maioria dos gatos com DRC morrem de outras causas.

Para um suporte adequado o gato precisa se manter hidratado, manter ou ganho peso e minimizar a ingestão de proteína e fósforo. Algumas marcas de ração produzem produtos específicos para gatos com doença renal e que contém baixos níveis desses componentes.

Gatinhos com pressão arterial elevada ou com doença cardíaca secundária recebem tratamento adequado para cada situação, assim como a correção possível de desequilíbrio eletrolítico (alteração nos níveis de potássio, cálcio, fósforo e sódio).

Em casos de desidratação grave e/ou alteração do pH do sangue o animal pode precisar de internação para receber soro intravenoso e sair da crise, mas na maioria das vezes os animais recebem tratamento em casa.

A aplicação de soro em casa é frequentemente prescrita por veterinários. Para ler mais sobre isso clique aqui!

Gatinhos anêmicos podem precisar de tratamento injetável com componentes que ajudam na produção das hemácias ou até mesmo de transfusão de sangue.

PROGNÓSTICO

Os principais fatores relacionados com a sobrevida dos gatos com DRC são: valor de creatinina no momento do diagnóstico (quanto menor, melhor), quantidade de proteína na urina (que deve ser negativa ou baixa), manutenção do peso (quanto maior a perda de peso, pior o prognóstico) e alimentação específica para animal com DRC.

A sobrevida desses gatinhos é muito variada, uma vez que a doença é muito complexa e os sintomas e a evolução variam de gato para gato.

Essas informações não devem ser tomadas como forma de diagnóstico. Sempre consulte um veterinário e nunca medique seu gato sem receita.

Dra. Laila Massad Ribas

Imagem: jblog.jb.com.br

Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Possui formação acadêmica em veterinária, especialização em medicina felina e mestrado e doutorado pela USP.