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Disfunção cognitiva senil em gatos

Função cognitiva ou cognição envolve processos como memória, conhecimento e julgamento. Em humanos e cães está comprovado que a idade afeta esses processos, dando o nome disfunção cognitiva senil, também conhecida como demência senil.

A disfunção cognitiva é, portanto, a perda ou redução progressiva parcial ou total da capacidade de memória, aprendizado, raciocínio, atenção, julgamento, pensamento, etc.

Em gatos pouco se sabe sobre esse assunto, mas acredita-se isso ocorra de maneira diferente. Estudos demonstram que gatinhos com idade entre 11 e 16 anos apresentaram melhor resultado em testes de noção espacial do que gatos mais jovens. Além disso, a função de memória espacial e função motora dos gatos não declinou com a idade em outro estudo realizado.

Apesar disso, os gatinhos idosos podem sim desenvolver uma disfunção cognitiva.

SINTOMAS

Quando um gatinho idoso de fato tem disfunção cognitiva os principais sinais são a desorientação em relação ao tempo e ao espaço, alteração na capacidade de aprendizado e memória, marcação de território com urina e/ou fezes, mudança de comportamento (agressividade, ansiedade, irritabilidade), mudança no padrão do sono, perda do apetite, diminuição da auto higiene (lambedura) e passam a miar mais.

É muito importante que o tutor leve seu gato que apresenta mudança de comportamento ao veterinário, pois outras doenças comuns na idade avançada podem apresentar sintomas parecidos, como diabetes, hipertireoidismo e doença renal crônica.

DIAGNÓSTICO

Não existe um método de diagnóstico específico, passado a disfunção cognitiva a ser um diagnóstico de exclusão. O médico veterinário conclui que um gato tem disfunção cognitiva senil se baseando nos sintomas.

TRATAMENTO

Não existe cura para a disfunção cognitiva senil, mas o tutor juntamente com o veterinário pode promover mudanças na vida do animal que melhorem os sintomas e a qualidade de vida. Uma das primeiras coisas a ser melhorada é o ambiente em que o gato vive através do enriquecimento ambiental. Para que isso seja feito o tutor pode promover locais que o gato consiga escalar (facilitando a subida e descida, pois são animais idosos) e colocando mais brinquedos para os gatos se distraírem.

Além disso, o tutor pode melhorar sua interação e estimular o cérebro do gato com brinquedos e através de comedouros funcionais/lúdicos, que são objetos que seguram mais a comida e/ou necessitam serem manipulados para que o alimento saia, assim fornecendo um “quebra-cabeça” (desafio) para os gatos. Tudo isso serve como estímulo mental para os animais e previnem a progressão da doença.

Dietas enriquecidas com antioxidantes parecer ter um bom efeito no tratamento da demência senil, mas sempre associado com enriquecimento ambiental. Ansiolíticos e antidepressantes podem ajudar alguns animais, por isso o veterinário pode optar por esse tipo de tratamento em alguns casos.

Ações que evitam que o gato tenha uma piora clínica:

– verifique se suas vasilhas e caminhas estão em local de fácil acesso;

– mantenha as vasilhas de água separadas das de comida;

– ofereça caminhas macias e confortáveis;

– ofereça locais de toca e fuga (quando o gato idoso convive com outros animais) como caixas de papelão escondidas e prateleiras altas (mas, novamente, atenção se o gato consegue alcançar o local alto). Quartos silenciosos podem ser um alternativa também para aqueles momentos que o animal precisa descansar;

– mantenha a caixa sanitária sempre limpinha e com granulado macio para as patinhas, como areia fina por exemplo;

– evite adotar outros animais, pois isso costuma ser muito estressante para gatos idosos;

Essas informações não devem ser interpretadas como forma de diagnóstico. Procure sempre um médico veterinário.

Dra. Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Laila Massad Ribas

Possui formação acadêmica em veterinária, especialização em medicina felina e mestrado e doutorado pela USP.